Governo do Ceará lança Programa de Educação Financeira contra o endividamento
2 de junho de 2026 - 16:01
Texto: Thamires Assunção - Ascom Seplag | Imagens: Dennis Moraes - Ascom Seplag

O Governo do Ceará, por meio da Secretaria do Planejamento e Gestão (Seplag-CE), lançou, nesta terça-feira (2), o Programa de Educação Financeira do Estado do Ceará, iniciativa inédita voltada à promoção da saúde financeira, à prevenção do superendividamento e ao enfrentamento de fraudes digitais. A solenidade ocorreu no auditório da Seplag, no Centro Administrativo do Cambeba, reunindo representantes do poder público, instituições de ensino e entidades parceiras.
Desenvolvido em parceria com a Fundação Demócrito Rocha (FDR), o programa conta com o apoio da Universidade Estadual do Ceará (Uece), da Escola de Gestão Pública do Estado do Ceará (EGPCE), da Universidade Aberta do Nordeste (Uane), da Universidade Federal do Ceará (UFC).
Compuseram a mesa de abertura o secretário do Planejamento e Gestão, Alexandre Cialdini; o deputado estadual Guilherme Sampaio, representando a Assembleia Legislativa do Ceará; o diretor clínico do Hospital de Saúde Mental Professor Frota Pinto (Hospital de Saúde Mental de Messejana), Cláudio Leite, representando a Secretária da Saúde do Ceará, Tânia Coelho; o presidente da Fundação Demócrito Rocha, João Dummar Neto; o diretor da Faculdade de Economia, Administração, Atuária e Contabilidade da UFC, Adriano Gordiano, representando o reitor Custódio Almeida; e a pró-reitora de Graduação da Uece, Mazza Maciel.
Durante a abertura, o secretário Alexandre Cialdini destacou o caráter inovador da iniciativa e seu potencial de transformação social.
“É uma atitude inovadora. Não tem um estado brasileiro que tenha construído um programa com essa abrangência e multidimensionalidade. O que esperamos é um grande ponto de inflexão na mudança do comportamento e do conhecimento das pessoas, para proteger o servidor, a sociedade cearense, as famílias e até o próprio mercado”, afirmou.
Segundo o titular da Seplag-CE, o programa foi concebido inicialmente para atender os cerca de 180 mil servidores estaduais e seus familiares, mas teve seu alcance ampliado pelo governador Elmano de Freitas para toda a população cearense.
“O programa abrange toda a sociedade cearense, nos 184 municípios e nas 14 regiões de planejamento. O Ceará está sendo um exemplo para o Brasil ao transformar educação financeira em política pública estruturada”, ressaltou.
A iniciativa prevê ações voltadas para educação financeira, comportamento do consumidor e prevenção de fraudes financeiras. Entre as atividades previstas estão cursos, oficinas, webinários e campanhas educativas.
O primeiro produto do programa é o curso gratuito “Educação Financeira para Cidadania Plena”, com carga horária de 144 horas, dividido em 12 módulos. Os conteúdos abordam temas como organização financeira, consumo consciente, crédito consignado, portabilidade financeira, prevenção ao superendividamento, fraudes digitais, apostas on-line e estratégias de investimento.
Além da plataforma de ensino, o Programa de Educação Financeira do Estado do Ceará também conta com uma série de fascículos educativos produzidos em parceria com a FDR e encartados semanalmente no jornal O POVO. Ao todo, serão publicados 12 fascículos, distribuídos às segundas-feiras, abordando de forma didática temas relacionados à organização financeira, consumo consciente, prevenção a fraudes digitais, crédito, investimentos, apostas on-line e planejamento financeiro. Até o momento, quatro edições já foram disponibilizadas ao público.

Educação financeira e saúde mental
Representando a Secretaria da Saúde do Ceará, o diretor clínico do Hospital de Saúde Mental Professor Frota Pinto, Cláudio Leite, destacou a relação direta entre dificuldades financeiras e transtornos mentais.
“Educação financeira é também uma forma de promoção da saúde, especialmente da saúde mental. A literatura psiquiátrica mostra que depressão, ansiedade e outros transtornos estão intimamente relacionados ao endividamento e às dificuldades financeiras”.
O médico também alertou para os impactos emocionais causados por golpes financeiros e para o avanço dos transtornos relacionados às apostas on-line.
“Regularmente recebemos pessoas com ludopatia, que é um transtorno relacionado ao vício em jogos. Promover educação financeira é fundamental também do ponto de vista da saúde pública”.
Formação cidadã e transformação social
O deputado estadual Guilherme Sampaio ressaltou que a educação financeira deve ser compreendida como instrumento de cidadania e transformação social.
“A fala do doutor Cláudio nos remete a um sentido ético que deve preencher todas as nossas ações. Precisamos ajudar nossa juventude a voltar a sonhar com justiça, igualdade e com um projeto de sociedade baseado em outros valores. Iniciativas como essa contribuem para esse processo”, aponta.
O parlamentar também destacou a parceria institucional entre a Assembleia Legislativa e a Seplag na construção de políticas voltadas aos servidores públicos.
Já o Presidente da Fundação Demócrito Rocha, João Dummar Neto enfatizou a relevância do programa diante do crescimento do endividamento, das fraudes digitais e das apostas on-line.
“O enfrentamento desse cenário exige mais do que informação. O importante é a educação. E a educação não passa simplesmente pela informação; passa pela conscientização e pelo engajamento da sociedade. Esse é o convite que fazemos: que todos se engajem em um projeto que ajuda a saúde financeira das famílias”.

Teatro e conscientização
A programação contou ainda com a apresentação da peça teatral Meu Dinheiro Sumiu, encenada pela companhia de teatro “Atos e Atas”, formada por servidores estaduais participantes do Programa de Saúde e Qualidade de Vida para os Servidores da EGPCE. A atividade abordou, de forma lúdica, temas relacionados à educação financeira e à prevenção de golpes.

Iniciativas complementares
Durante o evento, também foi apresentado um spoiler do curso “Cibersegurança e Proteção de Dados na Prática”, desenvolvido pela Seplag em parceria com o Programa Cientista-Chefe, a Funcap e a UFC. A formação contará com nove videoaulas voltadas à prevenção de crimes digitais e à proteção de dados pessoais.
